domingo, 22 de maio de 2011

“Gente comum me cansa.”


“Gente comum me cansa.”

Eu, tu e quase todo mundo que conheces já devem ter escutarado essa frase.

Ontem passeando por aí, observando as pessoas ao meu redor, me peguei pensando no significado de “gente comum”.

Ser “Gente comum” é ser gente sem peculiaridades?  É não ter uma característica especial que te diferencia da massa? É seguir todas as regras ditadas pela sociedade que te quer “like soldiers in a row”? É sentir vergonha de fazer diferente, de inovar? 

Ser “comum” é ter medo do que pode acontecer se tu tentares? É viver do mainstream e nunca procurar algo distinto? É beijar A ou B porque teus amigos vão achar legal? É fazer o mesmo que todos fazem e nunca, nunca fazer algo só teu? É ser sempre comedido, nunca cometer uma gafe, “nunca errar”? É não chorar em público? É não soltar uma gargalhada bem na hora que não pode? É deixar de ser quem tu realmente és porque não vai ser “cool”?

“Gente comum” era isso?

E quem são esses?

Aquela que fala com as mãos e aquela que derruba as coisas. Aquele que odeia futebol e aquele que morre pelo seu time.  Aquela que tem um vira lata. Aquela cheia de tatuagens. Aquela que odeia tatuagens. Aquela que não bebe. Aquela que adora festa mas odeia 'apertado'. Aquele que sai com um guarda-chuva cor-de-rosa sem temer pela sua masculinidade. Aquela que organiza eventos inovadores. Aquele que chora. Aquela que (as vezes) não se importa com o seu cabelo. Aquela que adora ser mulher e odeia ‘ser frescura’. Aquele que surpreende. Aquela que fala alto. Aquele que fala muito. Aquela que fala pouco. Aquele socialista do PT (?). Aquela consumista preocupada com o meio-ambiente. Aquela que não come carne e adora coca-cola (porque são coisas totalmente distintas). Aquele que amadureceu cedo. Aquela que usa uns óculos divertidos. Aquela que corta seu próprio cabelo. Aquelas que não sabem andar de bicicleta. Aquelas tão diferentes e tão amigas. Aquela que dizem que age como um garoto. Aquelas que brincam com carrinho de supermercado. Aquele que nota quando ela cortou o cabelo. Aquela que fala híndi e não francês. Aquela que vê UFC para relaxar. Aquele que sabe cozinhar melhor do que ela. Aquele que se preocupa. Aquelas que adoram futebol. Aquela que ajuda porque quer e não porque quer algo em troca. Aquela que “só dá furo”. Aqueles com idéias loucas. Aqueles tradicionalistas. Aqueles que comem pimenta. Aquelas que preferem tequila. Toda essa gente, diferente.

É... Gente comum realmente me cansa.

terça-feira, 10 de maio de 2011

6.

Posso lembrar só um pouquinho?

6 anos não é pouco tempo, 6 anos não é tanto tempo assim
6 anos podem ser uma eternidade e ao mesmo tempo "ontem"

6 anos é muito tempo se pensado em dias
6 anos é pouco tempo se pensado em momentos

conheço gente pequena com 6 anos de vida
conheço 6 anos de mudanças
conheço 6 anos de saudade

6 anos que não ouço "minha filha" vindo de uma voz grave do outro cômodo
6 anos que não escuto "só deixa terminar o jornal"
6 anos de fazer meu próprio chá
6 anos sem "só um pouquinho, paiê"

6 anos de "cadê?"

6 anos de tentativas de entender o porquê de algumas coisas
6 anos depois não entendo. Aceito, e às vezes choro porque é simplesmente difícil aceitar.

6 anos de olhar ao redor e saber que falta um pedaço
6 anos de vitórias
6 anos de comemorações
6 anos de felicidade
6 anos de "o que será que ele ia achar disso?"

6 anos de "que saudades do meu pai!"

karen villanova