domingo, 12 de junho de 2011

País de...

Oi. Meu nome é Karen. Nasci no Brasil. Me dói dizer "sou brasileira", me desculpem.

Me dói dizer que sou brasileira, não porque meu país é sem recursos ou porque meu povo é frio.

Dói dizer que sou brasileira porque remete ao conformismo, a comodidade, “tanto faz, é assim” way of life.

Me revolta ter que ir ou esperar alguém ir para o exterior para comprar um produto sem taxas absurdas e estar tranqüila, saindo para almoçar e deparar-se com alguém armado, em “bairro nobre” dizendo que vai levar algo que EU comprei, com o dinheiro que EU trabalhei para ter e depois escutar:

“É assim mesmo, é em todo lado...”

E quando tu respondes, as pessoas seguem:

“É normal...”

NÃO é para ser normal.Normal segue normas.
Roubar é norma?
Colocar medo é norma?
Invadir é norma?
Então, não entendo normas.

As pessoas parecem viver amortecidas por aqui.

Reclamam de qualquer estupidez, como a chapinha que molhou na chuva e dizem que é “normal” para um assalto, à luz do dia, em bairro “nobre”...

“Brasileira”, não quero ser chamada de “brasileira" se isso quer dizer que acho que o errado é meramente normal.

Já ouvi muitas vezes: “O Brasil é lindo, não tem guerra.”

Óbvio! Uma guerra inicia com uma vontade de revolução.

Conto nos dedos os brasileiros que conheço que tem paixão suficiente para começar uma revolução.

O povo gaúcho já teve mais paixão também, e se crê nessa paixão dos antepassados até hoje.

Nossos antepassados revolucionários... Esses tinham paixão. 
Hoje em dia temos cada vez mais motivo e menos paixão. 

Se o nosso povo houvesse mantido essa paixão ao longo dos anos, talvez não tivéssemos chegado a esse estado de amortecimento coletivo em relação à vida e ao que é certo e errado.



Desabafei. 

Obrigada.

Karen Villanova